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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Memória

Hélice resgatada do naufrágio e agora colocada em lugar de honra no Cisne Branco,
barco que há décadas realiza passeios pelo Guaíba, em Porto Alegre.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Lembrança Social

"A lembrança social é de outra ordem, trata-se de memória. Diferentemente da prova jurídica, do saber administrativo, do conhecimento científico e técnico, que exigem restituição escrita, a memória tem uma função mais política e simbólica do que testemunhal. A memória é aquela fala que circula nas noites de vigília, que passeia de aldeia em aldeia de um lado a outro do reino, palavras com as quais um povo se reconhece e comunica".
DELMAS, Bruno. Arquivos para quê? Tradução de Danielle Ardaillon. São Paulo: Instituto Fernando Henrique Cardoso, 2010, p. 41.

domingo, 10 de março de 2013

Memória


Por mais que seja discutível saber exatamente o que é MEMÓRIA, uma coisa é certa: MEMÓRIA depende de REGISTRO. Dela sabemos que é SELETIVA. A gente escolhe o que quer guardar, o que deseja recordar. Guardamos nossas experiências, fonte de nossos saberes, assim como nossos sentimentos e mesmo sensações. É possível guardar sons, imagens, textos...
Só a MEMÓRIA pode vencer o TEMPO.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Por que lembrar?


Lembrar parece algo natural. É inerente ao ser humano cultivar lembranças, porque talvez sejam elas o próprio tecido do qual nossa vida é feita. Não digo nossa vida biológica, que esta possui seus tecidos feitos de carne, ossos, sangue; falo da outra vida, daquela do sabermos quem somos, daquela de nos pensarmos como alguém. Alguém que não é você, que não é outro, mas que sou eu.
Complicado? Nem tanto. Pare um pouco e pense: você sabe quem é você na medida quase exata de suas lembranças. Assim é com tudo. Somos uma história, uma sucessão de eventos acontecidos no espaço e no tempo. Pense nisso, nesse acontecer que é você, e me diga se não somos, afinal, muito lembrança, muito memória, muito tudo isso que resiste ao tempo.
Não creio que seja preciso mais para lhe fazer ver o quão valioso é o tesouro da memória. Esquecer e lembrar são verbos paradoxais em sua complementaridade. Pessoas, coisas, instituições, famílias, empresas, bairros, cidades e mesmo animais possuem uma história. Recompor esta história, desenhar esta memória, fixá-la em um suporte a partir do qual ela possa ser compartilhada, não é apenas uma técnica, mas uma arte. É algo que o homem vem fazendo desde que se deu conta de sua finitude e pretendeu transcendê-la. Memória é, pois, transcendência, na medida em que, resistindo às forças que promovem o esquecimento, eternizam seu objeto.
Fazer memória é participar dessa transcendência, é atrever-se ao destino, criando futuros através dos registros passados que promovem o presente. É, com efeito, construir edifícios que darão abrigo ao que vai persistir, resistindo ao tempo, esse mestre do esquecimento que, todavia, não se atreve contra o que sabe persistir, conservar-se e durar.
Nesses tempos pós-modernos, onde o espaço e tempo se contraem velozmente, somos desafiados pelo efêmero que se perpetua em movimentos febris. Tudo é hoje, aqui e agora, porque a mecanização nos transformou em repetidores de atitudes que se expandem via contágio do prêt-à-porter ao prêt-à-penser. Em sua genialidade, Salvador Dali pintou relógios que se derretiam sobre pedras em plena luz do dia, insistindo na persistência, não da matéria, mas da memória. Bergson não foi menos feliz quando escolheu para intitular talvez a mais imortal de todas as suas obras as palavras Matéria e Memória. Buscar um eixo de estabilidade hoje é o desafio que nos garantirá, não a mítica saída do labirinto, mas o acesso àquele fio condutor capaz de dar sentido a um passado que o tempo devora e a um futuro que esse mesmo tempo ameaça. Memória é estabilidade, e estabilidade é o grande atributo, quase místico, com qual o homem honra a todas as coisas que lhe são sagradas.
Lembre-se de não esquecer. Sua memória também é você.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ser Lembrado

Acontece com quem é lembrado. Hoje, entre outras coisas belas, ganhei de presente este lindo cartão que reproduz uma aquarela de Dürer, de 1508. Ser lembrado tem isso de bom: é um exercício de memória que implica numa demonstração de afetividade, numa presentificação de quem está ausente para que, ao depois, compartilhe conosco impressões vividas e sentidas. Vemos coisas, lembramos delas, e essa memória se socializa, contagiante... Agora a coruja enfeita o blog, compartilhada ela também, por sua vez. Obrigada, Nádia! Adorei!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

Uma impossibilidade

...porque é impossível que duas pessoas que tenham visto um mesmo fato, quando elas se dão conta disso algum tempo depois, o reproduzam sob traços idênticos. HALBWACHS, Maurice, La Memoire collective. Paris: Presses Universitaires de France, 1968, p.63.

domingo, 8 de abril de 2012

O Parque dos Objetos Mortos

A passagem crua e invencível do tempo, a efemeridade "moderna" dos objetos, "o fim da linha do consumo" - a imagem mesma do perecimento -, aludidas genérica e um tanto metaforicamente na menção inicial ao imaginário do desmanche, aparecem no depósito de reciclagem do Loteamento Cavalhada em toda sua dramatização e opulência material. Diariamente, cerca de uma tonelada do lixo de Porto Alegre é descarregado e processado no local. Junto aos montes de garrafas plásticas, alimentos em decomposição e toda sorte de dejetos, é inevitável, constante e chamativa a presença de velhos aparelhos de televisão, fitas de vídeo-cassete, máquinas de escrever e vinis antigos. Passear no parque dos objetos mortos é defrontar-se com uma memória social impregnada na materialidade decomposta das coisas; do mesmo modo, fecha-se diante de nós a vida média dos objetos (sempre progressivamente encurtada) e um ciclo ou processo produtivo-industrial espiralado (produção ® consumo ® descarte ® coleta ® reciclagem ® [re]produção).
SILVEIRA, Fabrício. O parque dos objetos mortos: por uma arqueologia da materialidade das mídias. Ghrebh – Revista de Semiótica, Cultura e Mídia. 2003. Disponível em: http://revista.cisc.org.br/ghrebh2/artigos/02fabriciosilveira032003.html acesso em 08/04/2012

domingo, 7 de agosto de 2011

Memória e Literatura

A literatura é fonte de pesquisa histórica das mais acreditadas na busca de relatos pertinentes a hábitos, costumes e crenças existentes em dada sociedade. O próprio conceito de memória coletiva (HALBWACHS, 1991) encontra na literatura um reforço, na medida em que esta contribui para homogeneizar as recordações de determinado grupo social. Em La mémoire collective, esse autor coloca que quanto mais um romance ou uma peça teatral são colocados por seu autor em um período distante de nós de muitos séculos, isso é frequentemente um artifício para afastar o quadro dos eventos atuais e melhor fazer sentir a que ponto o jogo dos sentimentos é independente dos acontecimentos históricos (HALBWACHS, 1950, La mémoire collective, p. 52). Ele deixa ainda um testemunho pessoal, quando conta que, estando pela primeira vez em Londres, diante de lugares históricos, lembrou-se imediatamente de Dickens, que lera na infância e que com ele parecia caminhar então. Outros homens têm essas lembranças em comum comigo, ― acrescenta. Bem mais, eles me ajudam a me lembrar delas: para melhor lembrar-me, eu me volto para eles, eu adoto momentaneamente seu ponto de vista, eu entro em seu grupo, logo, continuo a fazer parte, pois sofro o impulso disso e encontro em mim muitas idéias e modos de pensar que não aprendi sozinho, e pelo quais eu permaneço em contato com eles (HALBWACHS, op. cit., p. 8).
Memória e Literatura

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Memória e Nação. Notas sobre a Revogação da Anistia no Uruguai


Porque a memória é o que resiste ao tempo e a seus poderes de destruição, e é algo assim como a forma que a eternidade pode assumir nesse incessante trânsito. E ainda que nós (nossa consciência, nossos sentimentos, nossa dura experiência) nos modifiquemos com os anos, e também nossa pele e nossas rugas vão se convertendo em prova e testemunho desse trânsito, há algo em nós, bem lá dentro, em regiões muito escuras, aferrado com unhas e dentes à infância e ao passado, à raça e à terra, à tradição e aos sonhos, que parece resistir a esse trágico processo: a memória, a misteriosa memória de nós mesmos, do que somos e do que fomos.

Ernesto Sábato
(1911-2011)

Memória e Nação. Notas sobre a Revogação da Anistia no Uruguai

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Lugares de Memória



Antes de abordar a questão dos lugares de memória, quero dizer que a melhor parte deste meu espaço é sua descontinuidade. Não pretendo criar nada linear, até porque o tempo, esta matéria prima da vida, é coisa que disputo aos relógios. Vou simplesmente tecer recordações com palavras. A temática da duração sugere que se ultrapasse, que se transcenda a concepção contínua, seja do tempo, seja da memória, e isso nos acontece se conseguirmos nos fixar no instante. Memórias haverá tantas quanto grupos há, porque a história é uma operação eletiva, que requer intelecto, daí pertencer a todos em geral e a ninguém em particular. Memória Social se desencontra da História, no sentido clássico do termo, justamente aí, onde não se emprega o intelecto, mas os sentimentos, as emoções, que outorgam significado àquilo que vivemos. Todavia, é a História que reconhece os lugares de memória que as sociedades constroem para com isso tentar reparar ou inviabilizar perdas. Lugares de memória dão ensejo a rituais onde as memórias se prendem e se integram, não sem desprestigiar a paisagem urbana. Lugares de Memória são materiais e, simultaneamente, simbólicos.  Nessa funcionalidade, conectam perdas e aquisições. Porque na medida que se perdem memórias, adquirem-se  museus, bibliotecas, praças, bem como ritos, comemorações que buscam compensar o abandono de alguma coisa que foi significativa para o coletivo. Não é o indivíduo que escolhe ou elege um lugar de memória, lugar este que dará, por sua vez, lugar a ritos, onde o grupo se subtrai à linearidade do tempo comum. Emerge daí uma indiscutível sensação de nostalgia, que cresce com a saudade, que aumenta nesses espaços, fazendo reviver uma experiência, uma recordação.
A foto foi tirada na Pinacoteca de São Paulo.

domingo, 3 de abril de 2011

Santo Agostinho e a Memória

Vencerei então esta força de minha natureza, subindo por degraus até meu Criador. Chegarei assim diante dos campos, dos vastos palácios da memória, onde estão os tesouros de inúmeras imagens trazidas por percepções de toda espécie. Lá também estão armazenados todos os nossos pensamentos, quer aumentando, quer diminuindo, ou até alterando de algum modo o que nossos sentidos apanharam, e tudo o que aí depositamos, se ainda não foi sepultado ou absorvido no esquecimento. Quando ali penetro, convoco todas as lembranças que quero. Algumas se apresentam de imediato, outras só após uma busca mais demorada, como se devessem ser extraídas de receptáculos mais recônditos. Outras irrompem em turbilhão e, quando se procura outra coisa, se interpõem como a dizer: “Não seremos nós que procuras?” Eu as afasto com a mão do espírito da frente da memória, até que se esclareça o que quero, surgindo do esconderijo para a vista. Confissões de Santo Agostinho, Capítulo VIII

sábado, 2 de abril de 2011

2482 - Memória Social

Memória: abordagens teóricas. Memória individual e coletiva. Tempo, espaço e memória.

Memória; relações com a literatura, antropologia e construção de identidades. Tradição, mito, imaginário e universos simbólicos. Seletividade, narratividade e memória. Linguagens da memória.

Memória Social e Bens Culturais

O Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Bens Culturais-PPGMSBC do Unilasalle possui curso de Mestrado Profissional interdisciplinar, recomendado pela Capes, atuando a partir de temas como gestão cultural, indústrias criativas, economia da cultura, patrimônio cultural, memória social, linguagens culturais, projetos culturais e sociais e instituições culturais. Possui excelente infraestrutura com espaços próprios para estudo e laboratórios para desenvolvimento de pesquisas. Conta com recursos informacionais modernos e bibliotecas em rede, com acervos atualizados de obras bibliográficas e periódicos científicos das mais renomadas instituições de ensino superior. Seu quadro docente passa por qualificação permanente e é renovado de acordo com a demanda do campo da cultura e do corpo discente.

Os egressos do Mestrado Profissional em Memória Social e Bens Culturais terão competências e habilidades técnicas necessárias para o manejo dos recursos e instrumentos disponíveis para criar, revitalizar e impulsionar o desenvolvimento de instituições voltadas para os bens culturais e memória social; para trabalho educacional voltado à sensibilização e instrumentalização de indivíduos, grupos e comunidades para o reconhecimento, a compreensão e a valorização dos bens culturais; para coordenar e equacionar diferentes atividades e ações, relativas à memória social e aos bens culturais; para a promoção da reflexão, discussão e proposição de políticas culturais para produção, difusão, preservação e acesso a bens culturais e instituições culturais; para, a partir de pesquisa e diagnóstico controlar ferramentas de formulação, viabilização, implementação e avaliação de projetos.