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domingo, 5 de março de 2023

Objetos Biográficos

Objetos biográficos possuem conexão direta com a vida de alguém. São materiais que frequentemente ajudam a contar histórias e a relembrar acontecimentos marcantes de nossas vidas. Diários pessoais, fotografias, cartas, roupas e mesmo joias podem fornecer informações valiosas sobre a vida e as experiências de alguém, especialmente detalhes, por exemplo, de relacionamentos, passatempos e estados emocionais. O que é significativo, em regra, é guardado.

Por sua importância, objetos biográficos são frequentemente usados em exposições, museus, biografias e outras formas de narrativas que envolvam histórica e memória, por sua utilidade em ilustrar a vida de um modo tangível e concreta, podendo chegar a desvendar intimidades.

Seu estudo suscita bastante interesse. Exemplo disso encontramos na obra An Archive of Feelings: Trauma, Sexuality, and Lesbian Public Cultures, 2003, de Ann Cvetkovich, professora de estudos de gênero e cultural na Universidade do Texas em Austin. Nessa obra, ela analisa como as comunidades LGBTQ+ criaram seus próprios arquivos de objetos biográficos, como diários pessoais, cartas e fotografias, para documentar suas experiências e traumas. Também Carolyn Steedman, 2002, com Dust: The Archive and Cultural History, reflexão sobre como a historiografia moderna lida com a crença herdada do século XIX em um mundo material objetivo e como isso afeta a escrita da história atual. O título, de forma divertida, quer lembrar história, assim como o pó dos arquivos, nunca desaparece por completo. Apenas duas menções tomadas a uma bibliografia que se multiplica talvez tão velozmente quanto os arquivos e os objetos biográficos, ambos correlacionados como elementos que informam a memória e a história.

Os objetos biográficos nos permitem contar histórias sobre a nossa vida e sobre a vida das pessoas que nos rodeiam, ajudando a preservar a memória das gerações passadas para o futuro. Eles registram nossa identidade e nossa cultura, ao mostrar como vivemos e como pensamos em diferentes épocas e lugares. Isso basta para justificar sua proteção e preservação, seja em nível pessoal, seja coletivo, em museus, arquivos e instituições análogas de preservação da memória.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Objetos Biográficos


Este vídeo foi feito em São Paulo, neste mês de fevereiro de 2013. Ele foi editado e produzido por Rogério Centofanti,que vem pesquisando, entre outros assuntos ligados à História da Psicologia no Brasil, novos métodos de exposição de conteúdos de pesquisa. O que vai aqui é apenas um teste. Todavia, o ritmo imposto pela pós-modernidade impõe inovações no que concerne a modos de registro de pesquisa. Ainda que informais, vídeos podem representar um excelente suporte de dados. Além disso, podem ser classificados, individualizados e institucionalizados, além de circunstanciados em seu contexto primário de criação.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Objetos Biográficos







São estes os objetos que Violette Morin chama de objetos biográficos, pois envelhecem com o possuidor e se incorporam à sua vida: o relógio da família, o álbum de fotografias, a medalha do esportista, a máscara do etnólogo, o mapa-múndi do viajante... Cada um desses objetos representa uma experiência vivida, uma aventura afetiva do morador. Diferentes são os ambientes arrumados para patentear status, como um décor de teatro: há objetos que a moda valoriza, mas não se enraízam nos interiores ou têm garantia por um ano, não envelhecem com o dono, apenas se deterioram. Só o objeto biográfico é insubstituível: as coisas que envelhecem conosco nos dão a pacífica sensação de continuidade. Reconhece Machado de Assis: “Não, não, a minha memória não é boa. É comparável a alguém que tivesse vivido por hospedarias, sem guardar delas nem caras, nem nomes, e somente raras circunstâncias. A quem passe a vida na mesma casa de família, com os seus eternos móveis e costumes, pessoas e afeições, é que se lhe grava tudo pela continuidade e repetição” Não só em nossa sociedade dividimos as coisas em objetos de consumo e relíquias de família. Mauss encontra essa distinção em muitos povos: tanto entre os romanos como entre os povos de Samoa, Trobriand e os indígenas norte-americanos. Há talismãs, cobertas de pele e cobres blasonados, tecidos armoriais que se transmitem solenemente como as mulheres no casamento, os privilégios, os nomes às crianças. Essas propriedades são sagradas, não se vendem nem são cedidas, e a família jamais se desfaria delas a não ser com grande desgosto. O conjunto dessas coisas em todas as tribos é sempre de natureza espiritual. Cada uma dessas coisas tem nome: os tecidos bordados com faces, olhos, figuras animais e humanas, as casas, as paredes decoradas.Tudo fala, o teto, o fogo, as esculturas, as pinturas.BOSI, Eclea, excerto do capítulo 1 – “A substância social da memória” – “Sob o signo de Benjamin” [Walter Benjamin], do livro O tempo vivo da memória: ensaios de Psicologia Social (São Paulo: Ateliê Editorial, 2003).