Seja como for, cartas permanecem como um território aberto a todas as perspectivas, pois refletem a consciência humana. Simples ou complexas, formais ou informais, sua materialidade é cheia de sentidos que se oferecem à nossa decifração.
Espaço inicialmente reservado a produções relacionadas ao meu Mestrado em Memória Social e Bens Culturais, Lasalle, concluído em 2012. Depois, em boa parte, direcionado a pesquisas vinculadas ao meu Doutorado em História Social, USP, concluído em 2017 e, por fim, ao meu pós-doc em Psicologia Social junto à UERJ, concluído em 2023. Além disso, contempla temas como memória, história, arquivos pessoais, cotidiano, arte, fotografia e outros saberes.
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sexta-feira, 17 de julho de 2020
domingo, 7 de abril de 2019
Morte de Scipio Sighele
Na sessão reservada às notícias
internacionais, ao subtítulo de Italie, o conservador Journal des débats politiques et littéraires dedica espaço à Mort de M. Scipio Sighele (1913, outubro 24), apresentado como
sociólogo e professor que morrera em Florença, aos 45 anos. Nascido no
Trentino, ele passara sua juventude em Milão, onde seu pai desempenhava a
função de Procurador Geral do Rei. Sua primeira obra fora La foule criminelle, sob o patrocínio
de Cesare Lombroso, obra que, junto a alguns ensaios publicados no Mondo criminale italiano firmaram-lhe a reputação de
psicólogo e de escritor. Seguiram-se ainda, entre outras, La copia criminalle, L’Inteligence de la foule,
La complicité. Sighele foi um fervoroso adepto do nacionalismo, movimento que surge na
Itália e que cresce com a guerra na África. Hostil à Áustria, chegou a ser
proibido de ingressar no território daquele país. Em Florença, para onde fora
por razões de saúde, a morte imprevista o surpreende. A notícia é finalizada
com uma carta de Sighele, escrita de Turim, que teria chegado ao jornal no dia
22 de outubro, — a morte de Sighele é dada como ocorrida em 21 de junho de 1913
—, sob o título de “O irredentismo no Trentino”. Para uma melhor compreensão do
homem que foi Scipio Sighele no contexto de uma criminologia nascente, sem
falar em sua relevante, senão mesmo a mais fundamental, contribuição para com o
nascimento da psicologia coletiva, a carta acima mencionada é traduzida na
íntegra, tal como publicada no Journal des
débats politiques et littéraires.
Ainda que estejam quase completamente
absorvidos pelas eleições gerais, os jornais italianos de todos os partidos não
negligenciam em registrar o dia a dia dos fatos que se desenrolam no Trentino e
as perseguições das quais os elementos italianos são objeto. Esses fatos
confirmam, aliás, os resultados e as previsões das pesquisas realizadas no
local pelos enviados especiais de dois grandes jornais sempre desejosos de ver
um bom acordo reinar entre as duas nações aliadas, o Corrieri della Sera e o Stampa,
pesquisas que demonstram claramente que se tratava, da parte da Áustria, da
realização de todo um projeto de desnacionalização. Os exemplares desses
jornais foram sucessivamente sequestrados em território austríaco, da mesma
forma que os jornais italianos que continham artigos que as autoridades do
Tirol julgassem de natureza a excitar a opinião pública.
Enquanto quase não fala mais a
respeito dos famosos decretos de Holenhole que permanecem intactos como se
deveria esperar, notícias de Trento anunciam que reuniões populares tiveram
lugar ontem e anteontem em toda a região do Trentino a propósito da eterna
questão de uma universidade italiana na Áustria. Os diversos oradores pediram
que Trieste fosse escolhida como sede da futura universidade. A agitação tende
a estender-se. Ela terá, por certo, algumas repercussões na península.
Referência: Mort de
Scipio Sighele (1913, outubro 24). Journal des débats politiques et
littéraires, ano 126, n. 295,
Paris, p. 2.
domingo, 28 de janeiro de 2018
Cidades, eternamente
"Tenho ido
ao Pão dos Pobres, aos domingos e lá deixado o meu obulo, em teu nome. Me
habituei com estas visitas dominicaes; de manhã saio, cheio de pensamentos
evangelicos, olhando com ternura mystica pros homens e pras cousas, tomo o
bonde como qualquer pacato, desço perto da ponte da Azenha. E vou andando, olho
com enternecimento fransciscano para ervinhas que crescem entre as pedras da
rua e para a agua do riacho. Vou rezando a minha oração lyrica. A poesia toma
uma forma infinita, sem “formas”, dispersa em todo o universo, vou sorvendo o
azul como expressão do indefinível. Vou sentindo Deus, vivendo a ideia divina.
Depois, entro na igreja de Santo Antônio, e penso em ti. Eu só sei entender
Santo Antonio atravéz da minha affeição por ti: Tua existencia se mistura com a
existencia de Santo Antonio no altar. Rezando, eu converso também contigo, rezo
pra ti, conversando com Santo Antonio. Santo Antonio está em nossa vida como um
amigo invisível que só pode fazer bem. A gente tem desses amigos, habitantes do
outro mundo" Trecho de carta de Francisco para Maria de
O fato de ser redutível
a um espaço geográfico tangível não impede que a cidade abrigue imaginários,
cuja força de expressão pode ser experimentada quando emerge dessas fontes. Mas
tal leitura depende um pouco de nós, é verdade, de certa disposição de nossa
vontade, de certa perversão de nossa razão, por contágio sugestivo, quem
sabe... Ler esta carta e tentar acostumar-se a passear aos domingos por Porto
Alegre, em 1933, descer de um bonde bem na ponte da Azenha, aquela onde
começara a Guerra dos Farrapos há então quase cem anos, e seguir os passos do
pacato Francisco até o Pão dos Pobres, entrando numa igreja onde Maria disputa
lugar com Santo Antônio sobre o altar. Nada mais cotidiano e, paradoxalmente,
nada mais extraordinário. Porque o dia a dia pode estar repleto dessa
propriedade mágica que encanta suas ruas, seus rios, que diviniza altares,
ainda que profanando-os, graças às eternas indulgências concedidas pelo amor.
Cidades são, sim, fenômenos culturais por excelência e talvez seja preciso
naturalizar-se porto-alegrense para alcançar essa cidadania.
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domingo, 16 de abril de 2017
De Francisco para Maria
"Algumas vezes a
carta faz o papel de cocaina pra alma, nas crises de saudade. Procurei essa
cocaina inocente e agora estou sorvendo a calma branca como poeira da tua
lembrança insistente entranhada no meu espirito e nos meus sentidos, de tal
maneira que eu penso que ella se desprende do papel."
Trecho
de carta da década de 19/04/1932.
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domingo, 12 de março de 2017
Carta de Arístocles a Alexandre, rei da Macedônia.
Que lhe perguntara o que havia
de fazer para lograr honras e felicidade.
ROQUETE, J. I. Novo Secretário Portuguez ou codigo epistolar contendo regras e advertências para escrever com elegancia toda sorte de cartas. Paris: J-P. Aillaud, Molon e Cia., 1860, p. 56.
Guarda os segredos. Fala pouco. Usa de verdade. Não sejas ligeiro. Reprime a ira. Não te metas em pleitos. Não pagues adiantado a ninguém. Abstém-te de vinho. Lembra-te que és mortal. Sê compassivo. Não te associes com quem não conheces. Não sejas fácil em dar ouvidos ao que te dizem. Não te fies no inimigo reconciliado. Pelas coisas perdidas e que se não podem recuperar, não te amofines. Não te alegres com a desgraça alheia Não contendas com o mais forte do que tu. Não confies nunca teus segredos a tua mulher nem a teus filhos; porque mulheres e meninos só calam o que não sabem. Coisa que se não pode alcançar não desejes alcançá-la. O que é incrível nunca o creias. Se desejas honras e fortuna, guarda o que acabo de dizer- te. Tem saúde para acrescentamento das ciências.
ROQUETE, J. I. Novo Secretário Portuguez ou codigo epistolar contendo regras e advertências para escrever com elegancia toda sorte de cartas. Paris: J-P. Aillaud, Molon e Cia., 1860, p. 56.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Venho por meio desta
sábado, 15 de agosto de 2015
sexta-feira, 8 de maio de 2015
Cartas
"Ce qui me semble beau, ce que je voudrais faire, c'est un livre sur rien, un livre sans attache extérieure, qui se tiendrait de lui-même par la force interne de son style, comme la terre sans être soutenue se tient en l'air, un livre qui n'aurait presque pas de sujet ou du moins où le sujet serait presque invisible si cela se peut" (Flaubert, Carta a Louise Colet de 16/01/1852).
quinta-feira, 5 de março de 2015
Minha Querida Lysia
Publicação 2015
![]() |
| Trecho de uma das cartas de Maria. |
Minha Querida Lysia
TOMASINI, Maristela Bleggi. Minha Querida Lysia. In: FREITAS, Talitta Tatiane Martins. (Org.). Anais do VII Simpósio Nacional de História Cultural: Escrita, circulação, leituras e recepções, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. ISBN: 978-85-67476-12-4
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sábado, 17 de janeiro de 2015
Fernando Pessoa
Estou num daqueles dias em que nunca tive futuro.
Há só um presente imóvel com um muro de angústia em torno. A margem de lá do
rio nunca, enquanto é a de lá, é a de cá, e é esta a razão intima de todo o meu
sofrimento. Há barcos para muitos portos, mas nenhum para a vida não doer, nem
há desembarque onde se esqueça. Tudo isto aconteceu há muito tempo, mas a minha
mágoa é mais antiga.
Em dias da alma como hoje eu sinto bem, em toda a
consciência do meu corpo, que sou a criança triste em quem a vida bateu. Puseram-me
a um canto de onde se ouve brincar. Sinto nas mãos o brinquedo partido que me
deram por uma ironia de lata. Hoje, dia catorze de Março, às nove horas e dez
da noite, a minha vida sabe a valer isto.
No jardim que entrevejo pelas janelas caladas do
meu sequestro, atiraram com todos os balouços para cima dos ramos de onde
pendem; estão enrolados muito alto, e assim nem a ideia de mim fugido pode, na
minha imaginação, ter balouços para esquecer a hora.
Pouco mais ou menos isto, mas sem estilo, é o meu
estado de alma neste momento. Como à veladora do «Marinheiro» ardem-me os
olhos, de ter pensado em chorar. Dói-me a vida aos poucos, a goles, por
interstícios. Tudo isto está impresso em tipo muito pequeno num livro com a
brochura a descoser-se.
Se eu não estivesse escrevendo a você, teria que
lhe jurar que esta carta é sincera, e que as cousas de nexo histérico que aí
vão saíram espontâneas do que sinto. Mas você sentirá bem que esta tragédia
irrepresentável é de uma realidade de cabide ou de chávena — cheia de aqui e de
agora, e passando-se na minha alma como o verde nas folhas.
Foi por isto que o Príncipe não reinou. Esta frase
é inteiramente absurda. Mas neste momento sinto que as frases absurdas dão uma
grande vontade de chorar. Pode ser que se não deitar hoje esta carta no correio
amanhã, relendo-a, me demore a copiá-la à máquina, para inserir frases e
esgares dela no «Livro do Desassossego». Mas isso nada roubará à sinceridade
com que a escrevo, nem à dolorosa inevitabilidade com que a sinto.
Fernando Pessoa, in 'Carta a Mário de Sá-Carneiro
(1915) '
Fonte: Citador
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Informação
Seguramente, um envelope que passou pelos correios nos fornece um indício seguro de sua origem. Torna-se verossímil, confiável e - por que não? - histórico.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Minha Querida Lysia
Pretendemos
ficar aqui até o dia 10.
Breve
enviar-te-ei mais noticias. Foste ao prado?
Hotel
[Timbre]
QUITANDINHA,
1° de abril de 1950
Minha
querida Lysia.
Escrevo-te
a lápis, porque a Parcker está com
o
Francis, que se encontra neste momento, na
1ª
reunião preparatória do Congresso. Graças
a
Deus tudo até agora tem corrido bem. Fize-
mos
uma ótima viagem de avião; chegámos
ao
rio, exatamente 4 horas após a nossa saída
de
Porto Alegre, e encontrámos um calor, ver-
dadeiramente
carioca! Calcula tu, querida, eu
de
casaco de camurça, boina de veludo e ca-
pa
de peles!... Hospedamo-nos no Hotel OK
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Cartas,
Cartas de amor como fontes de pesquisa uma proposta metodológica e sua aplicação,
VII Simpósio Nacional de História Cultural
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Porto Alegre Imaginada. Cidade, Cartas de Amor e Poesia
Porto Alegre Imaginada. Cidade, Cartas de Amor e Poesia é uma coletânea iconográfica que aborda a cidade a partir do imaginário de um apaixonado. Baseada em referências contidas em cartas de amor, documentos autênticos pertencentes a um arquivo pessoal, em mapas, em fotografias e em pinturas que têm por tema a cidade, a autora construiu imagens, recriando-as a partir dessas referências. Agora editado como livro, o trabalho foi publicado pelo IPMS - Instituto de Pesquisa em Memória Social, e disponibilizado em Literatura.
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domingo, 17 de março de 2013
Lembrança Floral
Foi um hábito. Mandar por entre as páginas de uma carta, especialmente uma carta de amor, uma "lembrança floral". Este gesto, por certo, deveria encontrar seu fundamento no suposto alívio da saudade entre apaixonados que, por força das circunstâncias, se encontrassem distantes um do outro. A foto mostra parte de uma carta escrita por Francisco para sua Maria, documento datado de 25 de novembro de 1932. O status atual deste objeto é, no entanto, profundamente diverso daquele no qual ele aparece no mundo, como carta de amor. Ele integrava então um contexto primário ao qual sobreviveu. Naturalmente, não é documento que sirva de "prova" do amor de Francisco por Maria; contudo, informa-nos sobre um hábito epistolar e contribui para nos esclarecer sobre como funcionavam as sensibilidades e as sociabilidades do passado.
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Cartas de Francisco para Maria
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Cartas
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Cartas de Francisco para Maria
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Cartas
E eu estou convencido: entre dois seres que se buscam,
não deve ser discutido o amor. Dante aconselhava: non raggionare da loro. Eu
sei o que é o amor, conheço a sua expressão humana, não desconheço a sua
significação natural, sou sensato, não exijo mais do que a mulher pode dar,
tenho certeza de que não existe o absoluto, sei que no continuo está incluido o
descontinuo, que no inconsciente dorme muita cousa que não devemos saber (porem
que hoje já se póde descobrir, felizmente ou infelizmente!) e que tudo na vida
é um jogo interessante e universal e tu, meu amor, o mais bonito brinquedo que
a vida me deu[1].
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Cartas de Francisco para Maria
sábado, 14 de janeiro de 2012
Bem...
Ao escrever qualquer carta, num minuto de alegria ou de sofrimento, o homem não procura disfarces para ocultar seu pensamento. Se está a sangue frio, pode, evidentemente, polir a frase ou esconder, com discrição, as ideias. Quando, porém, se encontra sob o domínio de sentimentos mais ou menos fortes ou intensos, já o caso muda de figura. O indivíduo é levado a abrir a sua alma. A dor não lhe permite fazer literatura. O estilo implica artificialismo, e com ele não se compadecem os sentimentos veementes e sinceros.VIANA, Mário Gonçalves. Cartas do Padre Antônio Vieira. Porto: Domingos Barreira Editor, sem data, p. 8.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Cartas de Amor como Bens Culturais
Cartas de amor encerram palavras vivas. Com isso quer-se dizer que não se tratam de vocábulos restritos às definições que se encontram nos dicionários, esses códigos reguladores de limites. Emoções não se transmitem pelas palavras, apenas ideias. Ninguém ousaria jamais afirmar que a pauta musical, embora escrita com precisão, seja a própria música, pois o que vai ali é tão-só uma ideia. A música propriamente dita, aquela que se dirige à audição, tampouco seria ela encontrável num gráfico que pudesse traduzir sua escala em decibéis. No entanto, uma música pode, não transmitir, mas despertar emoções, acionando a memória afetiva de quem a escuta, obviamente se estiver relacionada a determinadas vivências individuais ou mesmo sociais, como tão comumente encontramos naquelas canções que se diz serem do nosso tempo. Existe aí uma pertinência eminentemente cultural pelo compartilhamento de elementos simbólicos que também identificam gerações, diferenciando uma da outra, por exemplo. De forma semelhante, com palavras, trata-se, pois, de ir além, de descobrir, em cartas de amor, o poder da linguagem, não no que ela pura e simplesmente esclarece, mas no que ela encobre na lógica absurda das paixões, no que elas têm de mais paradoxal e, por isso mesmo, de mais inspirador...
Em Cartas de Amor como Bens Culturais: Interpretando Linguagem e Memória.
Em Cartas de Amor como Bens Culturais: Interpretando Linguagem e Memória.
sábado, 26 de novembro de 2011
Cartas: desafio metodológico
Debruçar-se assim sobre muitas dezenas de cartas, escritas uma por uma ao longo de anos e anos, e sempre dirigidas a uma mesma mulher, é percorrer as folhas do diário da viagem íntima de uma alma que vai na direção de outra, presa de um encanto que contagia e fustiga a imaginação. É a curiosidade que deseja refazer este cenário, montando o palco onde esse amor foi sentido, como foi visto, de que lembranças foi feito, esboçando assim seus protagonistas, não em sua verdade histórica, mas em sua manifestação existencial. Francisco é um homem feito de palavras e, de suas palavras, extrai-se o osso que dará forma a Maria, esse feminino onde coexistem Santa Teresa e Capitu, universo de contradições e conflitos, onde ponderações entre o querer e o dever atuam como determinantes de um comportamento inserido em contexto tempo e de lugar determinados. Impõe-se desvelar essa sociedade, iluminar os elementos que compõem esse todo a partir da propositura de um método que, sem repudiar a ortodoxia, não coloque em risco os conteúdos humanos, que não devem sofrer coisificação em sua subjetividade profunda, ou seja, aderir à proposta de uma visão sistêmica, não fragmentada, mas integradora de elementos aparentemente desconexos.
sábado, 15 de outubro de 2011
Da Finalidade da carta
..."tratando de altas questões, que seja grave; de matérias medíocres, harmoniosa (concinna); de matérias humildes, correta e agradável; que, na brincadeira, ela seduza por seu humor e sua graça; no elogio, por sua pompa (apparatu); que, na exortação, seja veemente e apaixonada; na consolação, carinhosa e afetuosa; para persuadir, grave e rica de pensamentos; na narração, clara e descritiva (graphice); para pedir, discreta; para recomendar, solícita; nas circunstâncias felizes, cumprimentadora; na tristeza, séria". ERASMO DE ROTTERDAMAnônimo de Bolonha; Rotterdam, Erasmo; Lípsio, Justo. A Arte de Escrever Cartas, org. Emerson Tin. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2005, p. 55.
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